Festival de Dança Itacaré 2025: FDI 2025

O Festival de Dança Itacaré, agora internacionalizado, é uma ação cultural que vem ganhando relevância desde a sua criação, em 2008 e, chega no  ano 2012, no Centro Cultural Tribo do Porto, tornando o Quilombo Urbano do Porto de Trás, em Itacaré-BA, o palco onde já se apresentaram, até 2025, mais de 150 grupos de dança de todo o Brasil, grupos internacionais: Espanha, Portugal, França/Costa do Marfim, Moçambique e Argentina, além de dramaturgos e diretores de festivais: Equador, Indonésia e Uruguai.

No primeiro ano de internacionalização do Festival, 2024, fomentado pelo Programa de Apoio a Ações Continuadas da FUNARTE, foram realizadas 14 apresentações de espetáculos e performances para um público de mais de cinco mil pessoas. Foram mais de 60 artistas – entre os que se apresentaram e convidados – e mais de 30 profissionais que fizeram o evento acontecer, ativando as diversas áreas artísticas, de produção e comunicação. 

Para além desses números, o Festival ainda mobilizou uma quantidade recorde de pessoas nas redes sociais do evento, gerando mais de 100.000 visualizações e interações no período. O evento também tem mostrado relevância para a economia da cidade, ampliando a ocupação de pousadas e hotéis, bares e restaurantes, entre outros empreendimentos nos dias do evento. 

Em 2025, chegamos à 13° edição, com a necessidade urgente de transformar o Festival em uma plataforma de discussão e reflexão de um tema muito caro à humanidade: Territórios Fronteiriços, Corpos Fronteiriços – para se pensar a força do coletivo e sua diversidade, territórios, artistas e seus cotidianos oriundos de cidades e países distintos para poder pensar o corpo e a composição da dança. Nesse fincar que transborda, poder ventilar outros mundos, outras produções artísticas, outras narrativas dançantes. O acesso será totalmente gratuito que acontecerá durante sete dias, entre os dias 03 a 09 de novembro de 2025, na cidade de Itacaré/BA.

Para este ano, não queremos menos que isso. Teremos uma programação recheada de atrações, que está dividida em três linhas de ação, mas que se fundem mutuamente:

Ação 01: como parte da Temporada França-Brasil 2025, o coreógrafo franco-marfinense Abdoulaye Konaté colabora com Verusya Correia, diretora artística do Festival de Dança  Itacaré, em uma residência de criação do espetáculo IDEIA DE FESTA / UNE IDÉE DE FÊTE, um projeto que propõe um diálogo entre duas manifestações afrodescendentes: o Bicho Caçador, do quilombo urbano do Porto de Trás e o Zaouli, do povo Gouro, na Costa do Marfim. A estreia deste espetáculo ocorrerá em novembro como parte da programação do Festival. O projeto começou em Nancy-FRA, em julho, e foi viabilizado pelo Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais, no âmbito do Ano Cultural Brasil-França 2025, com apoio da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura do Governo do Brasil.  Um intercâmbio entre o coreógrafo e o elenco do Núcleo da Tribo e segue por quatro semanas durante o mês de outubro, em Itacaré-BA, com o apoio financeiro do serviço de cooperação e de ação cultural da embaixada da França no Brasil  « o SCAC »  e  a CASA VER ARTE.

Ação 02: a realização do FESTIVAL DE DANÇA  ITACARÉ, que já tem selecionado por convocatória aberta quatro Espetáculos Nacionais; dois  Espetáculos Internacionais; duas Performances e duas Oficinas Espetáculo, que resultarão em mais duas performances. Além disso, teremos o Encontro em Conjunto e uma Exibição de Vídeo Dança. Ainda compondo a programação do festival, temos a Temporada França-Brasil 2025 com apresentação dos espetáculos: IDEIA DE FESTA/ UNE IDÉE DE FÊTE, do coreógrafo Abdoulaye Trésor Konate e Verusya Correia (Itacaré); CORPOS da La Companhia La Mangrove (França/Brasil); e LE SACRE DU SUCRE, da Cie Trilogie Léna Blou, de Guadalupe (França). 

Ação 3: O Abre-Alas: festivais em aquilombamento nasce do desejo de evidenciar as convergências, confluências e diferenças do Festival de Dança Itacaré/BA, da Mostra Cura de Artes Cênicas Negras (Porto Alegre e Pelotas – RS) e do Dona Ruth: Festival de Teatro Negro de São Paulo, tomando como base  as práticas e as memórias negras. E assim, criar um campo criativo de produção com dados logísticos, curatoriais e organizacionais que colaborem para o fortalecimento da articulação compositiva  das artes negras.

Ressaltamos que desde sua criação, lá pelos idos de 2008 e, em todas as suas edições que se sucederam, buscamos criar medidas para ampliar as possibilidades de diálogo criativo entre as diversas camadas sociais, entre gerações e culturas diversas. Um dos propósitos do Festival, portanto, é criar um mercado para profissionais da dança, técnicos, estudantes e interessados nos movimentos contra hegemônicos da arte, formando e ampliando o seu alcance. Nesse sentido, a realização do Festival de Dança Itacaré 2025 tem como grande desafio a continuidade e apresentar a diversidade de diferentes artistas da dança, oriundos de cidades e países distintos, para poder pensar o corpo e a composição da dança em territórios fronteiriços, tema que em muito tem nos atravessado. 

Verusya Correia
Diretora Artística e Curadora

Equipe

Direção Artística: Verusya Correia
Curadoria: Arionilson Xixito, Valmilson Péricles e Verusya Correia
Coordenação de Produção: Gilmar Silva
Produção Executiva: Ely Izidro, Jau Santos, Palloma Carvalho e Rejane  Pinheiro 
Assistência de produção: Fernando Reis
Coordenador Técnico: Márcio Nonato
Assistência Técnica: Joel Longo, Danilo Pena e Thiago Lapera
Fotografia: Bruno Morais
Registro e Edição de Vídeo: Victor Quixabeira e Souza
Assessoria de Comunicação: Tacila Mendes
Identidade Visual e Projeto Gráfico: Cavalo Design | Kaula Cordier
Atendimento de Design Gráfico: Diana Reis
Assistência de Design Gráfico: Pablo Cordier
Desenvolvimento Web: Marina Duca
Marketing Digital: Tacila Mendes
Monitoria:  Bernardo  Guimarães, Caio Henrique, Guilherme Nascimento, Isabelle  Reis, Kaio Matias, Marcelo dos Santos e Milede dos Santos
Transporte Aéreo: Angela Brito
Produção: Casa Ver Arte
Apoio: Prefeitura Municipal de Itacaré
Realização:  Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2023 – Eventos Artísticos Calendarizados, pela Fundação Nacional de Artes – Funarte.

Evento organizado no âmbito da Temporada França-Brasil 2025

Apresentação da FUNARTE

Quanto de mar, margem, memória e movimento é convite para o que se pode dançar neste tempo?

Fazer corpo com este festival é celebrar o encontro, a invenção e a continuidade que constitui a linguagem artística e convoca múltiplas narrativas, contra-narrativas e a diversidade das criações e relações artísticas do e no Brasil com o mundo.

A XIII edição do Festival de Dança de Itacaré, neste território do Litoral Sul da Bahia, integra neste ano a Temporada Cultural Brasil-França 2025, fruto da parceria entre o festival e a Funarte, no âmbito do Programa de Apoio a Ações Continuadas, e está conectada a uma rede imensa de ações continuadas pelo país que são parte da estruturação contínua do campo das artes e matrizes fundamentais na promoção de vínculos, arte e trabalho. 

Entre os momentos que marcam essa trajetória, destacamos o intercâmbio firmado pela diretora artística Verusya Correia com o coreógrafo franco-marfinense Abdoulaye Konaté, encontro semeado na Bienal de Dança da África – Kinani, no contexto da primeira edição do Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais. Esse gesto traduz a vocação do festival para a construção de diálogos afro-diaspóricos, que honram laços históricos e culturais, ao mesmo tempo em que projetam novas possibilidades de criação coletiva, onde ancestralidade e contemporaneidade se entrelaçam em cena.

Assim, ao celebrar o Festival de Dança de Itacaré 2025 – Territórios Fronteiriços, Corpos Fronteiriços, a Funarte reconhece não apenas a força da dança como linguagem artística, mas também sua capacidade de se afirmar como espaço de convergência entre povos, territórios e memórias. Um território vivo onde a arte ecoa sua potência transformadora, levando para o mundo o ritmo vibrante da nossa diversidade. Dançar como parte constitutiva e, sobretudo, disruptiva da vida.  

Maria Marighella
Presidenta da Funarte